Em resposta a uma pergunta de um jornalista da IRNA (agência de notícias do Irã), se Ebadi teria o interesse ou não de ingressar no domínio político, ela respondeu: “se política significa entrar no domínio do poder, jamais”. Ela acrescentou que quaisquer atividades relacionadas aos direitos humanos são consideradas por engano como uma entrada no domínio político e que, na verdade, os direitos humanos devem servir de porta-voz dos silenciados, os quais tiveram seus direitos básicos feridos.
A primeira mulher muçulmana a ganhar um Prêmio Nobel acrescentou: “jamais deixarei de lado a honra de servir no domínio dos direitos humanos e jamais dele”. No início da entrevista coletiva, a Sra. Ebadi disse: “o meu dever era o de transmitir ao mundo a mensagem da paz de meus compatriotas e dizer que o povo nobre do Irã detesta a violência, os conflitos e a guerra. O povo iraniano expressa suas palavras com lógica, amor e carinho”. À respeito dos conceitos deste prêmio, Ebadi disse que o primeiro conceito é que o mundo aceitou que o caminho para a paz passa pelos direitos humanos. Em relação ao fato de que ela é uma mulher muçulmana, ela disse: “O Islã não é uma religião de terror, mas uma religião de paz e igualdade”. Em relação à mensagem do Papa, Ebadi disse que o líder mundial dos católicos foi o primeiro a parabenizá-la, mostrando que não existem disputas entre o Islã e o Cristianismo e ainda: que os seguidores destas religiões conviviam em paz durante vários anos.
Ebadi criticou a teoria do choque de civilizações e disse: “algumas pessoas inventam teorias para ascender a guerra, porém, mensagem dos muçulmanos é a paz, o amor e a amizade”. Ela afirmou que o Islã não é uma religião de matanças e que, se em algum lugar o genocídio é cometido em nome do Islã, isto corresponde a um abuso desta religião.
Esta especialista em direitos humanos acredita que os relatórios divulgados à respeito da situação dos direitos humanos no Irã não são justos e nem imparciais.
Ela disse: “estes relatórios, ou mostram que as condições estão muito pretas ou muito brancas e que nós tentamos colocar a justiça e a imparcialidade como nossos guias em nossos trabalhos e o nosso trabalho mais importante no foco dos defensores dos direitos humanos é o de estarmos além da imparcialidade”.
Um jornalista ocidental, em relação a alguns jornais que haviam escrito contra ela, perguntou se havia a possibilidade de ela executar atividades no país. Ebadi respondeu: “graças a Deus, agora não tenho dificuldades”.
Em resposta a uma pergunta sobre a presença das forças norte-americanas no Iraque e sobre os genocídios cometidos pelo regime Sionista nos territórios ocupados disse: “acredito que o destino de cada país deve ser determinado por seu povo e que nenhum país possui o direito de interferir nos assuntos internos de outro país em nome da paz, dos direitos humanos e da democracia”.
Em relação ao regime Sionista, ela disse: “a questão é o desequilíbrio entre a pedra e a bala”. Em relação ao ambiente internacional contra o Irã devido às suas atividades nucleares ela disse: “acredito que o governo do Irã não possui uma bomba atômica e que o Irã não necessita de tal arma”. Ela expressou a esperança de que as negociações entre as autoridades da República Islâmica do Irã e os responsáveis pela Agência Internacional de Energia Atômica resolvessem este problema.
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